Qual a relação entre açúcar e câncer?

Pergunta muito frequente no consultório de oncologia e medicina integrativa. Quem tem ou já teve câncer precisa abolir o açúcar para sempre? E quem nunca teve a doença, se eliminar o açúcar, não terá câncer?

O açúcar não é responsável sozinho por causar câncer, assim como nenhum item alimentar isolado. Sempre quando nos alimentamos, ocorre liberação do hormônio insulina, que é capaz de diminuir os níveis de açúcar na corrente sanguínea. Isso é o normal e fisiológico do nosso organismo.

A resistência à insulina dá-se quando o hormônio não é capaz de realizar seu papel, ou seja, os níveis glicêmicos passam a se manter mais elevados.  Quanto mais açúcares ingerimos e piores nossos hábitos alimentares (não só o açúcar branco e doces, mas também farinhas brancas, carboidratos simples, bebida alcóolica, refrigerantes, sucos em caixinha, bolachas recheadas, industrializados – tudo isso geralmente tem muito açúcar), mais insulina é liberada. 

Hábitos dietéticos ruins podem levar à hiperinsulinemia (alto nível de insulina constante na corrente sanguínea). Altos níveis de insulina podem estar relacionados ao crescimento de alguns cânceres, sendo o câncer de mama na pós menopausa o mais bem estudado. Há tumores que expressam receptores de insulina em sua superfície, o hormônio se liga a esses receptores e pode levar ao crescimento do tumor.  

Na maioria das vezes, a hiperinsulinemia é revertida sem medicamentos através da escolha melhora da alimentação, atividade física e padrão do sono. O diagnóstico de hiperinsulinemia é dado por um médico através de exame laboratorial. Geralmente a hiperinsulinemia antecedente o diabetes. Não necessariamente está relacionada ao sobrepeso e obesidade, há pessoas com peso normal que apresentam a condição.

Portanto, o açúcar deve ser ingerido em moderação. Procure adotar hábitos saudáveis como um todo e aumentar a ingestão de vegetais, legumes e frutas.

Evitar não só os doces, mas também evitar colocar açúcar nas bebidas, evitar bebidas adoçadas e as farinhas brancas. Dar preferência ao chocolate 70% (com moderação), grão integrais e carboidratos de menor índice glicêmico. 

Cuidado também ao escolher os adoçantes, o ideal é não usar nada! Se for usar, dê preferência a Stevia e ao Xilitol, que são naturais. 

As frutas não devem ser eliminadas, pois apresentam vários benefícios em combater e evitar o câncer. 

Além de ajudar o não crescimento do câncer, controlando a hiperinsulinemia, evita-se o desenvolvimento de diabetes, doenças coronarianas e acidente vascular cerebral. 

Referência: Integrative Oncology, Andrew Weil

Câncer e obesidade

Além do aumento do risco de diabetes e doenças cardiovasculares como AVC e infarto, a obesidade também está relacionado ao câncer. Estima-se que 35% de todos os canceres nos Estados Unidos estejam relacionados a dieta, tanto pelo o que se com,  quanto pelo deixa-se de comer, como legumes, vegetais e frutas. Fatores dietéticos podem até ultrapassar o cigarro, que é responsável por 30% dos canceres. Evidências recentes sugerem e enfatizam a relação entre a obesidade e desenvolvimento do câncer (Colditz,2012; Arnold,2015; Schottenfeld,2013).

O American Institute for Cancer Research encontrou relação com evidência científica entre obesidade e câncer com os seguintes tumores: câncer de mama pós menopausa, pâncreas, rim, endométrio (útero), esôfago, colorretal, vesícula e variantes agressivas do câncer de próstata.

Ter um IMC (índice de massa corporal) baixo diminui o risco de desenvolver 8 tipos de tumores: gástrico, fígado, vesícula, pâncreas, ovário, tireoide, mieloma múltiplo e meningioma.

Pacientes obesos já diagnosticados com câncer de mama, colorretal ou próstata podem apresentar pior prognóstico secundário a obesidade. A boa notícia é que redução de peso em pacientes na pós menopausa pode diminuir o risco de desenvolver o câncer de mama significativamente.

O controle do peso ajuda tanto na diminuição do risco em desenvolver a doença, a evitar recidiva em quem já teve e melhora o prognóstico em quem tem câncer. Se você está acima de peso, não demore em procurar orientação médica, nutricional e do educador físico. Invista em você, na sua saúde e no seu autocuidado.

Fonte: Introduction to Integrative Oncology, The University of Arizona