Como está seu autocuidado?

Um dos pilares fundamentais na medicina integrativa é fortalecer o autocuidado do paciente. A Roda da Saúde traz os sete pilares do autocuidado que se baseiam em: 

1 – SONO 

Como está seu sono? 

Tem dificuldade para dormir ou acorda no meio da noite? Seu sono é reparador? Uma boa noite de sono é essencial para qualidade de vida e prevenção de doenças. 

2 – MOVIMENTO 

Seu corpo se mexe ou você está sedentário? 

A prática de atividades físicas é essencial à nossa saúde. Melhora do sono, do estresse, da saúde, previne e trata doenças. 

3 – NUTRIÇÃO 

Como está sua a relação com a alimentação? 

Você ingere diariamente legumes, verduras e frutas? 

Está consumindo muito alimento processado, industrializado? 

Lembre-se da máxima: “Descasque mais e desembale menos” para viver mais e melhor. 

4 – GESTÃO DE ESTRESSE 

Como você maneja o estresse no dia-a-dia? 

É impossível não nos estressarmos, mas podemos modificar a forma como o manejamos. 

Atividade física pode ser uma boa opção, contato com natureza, meditação, relaxamento, yoga, oração, são excelentes formas de aliviar o estresse do dia a dia. 

5 – ESPIRITUALIDADE 

Todos os seres humanos são seres espirituais, o que não significa necessariamente seguir uma religião. 

A espiritualidade é caminho de autodescoberta que pode vir tanto da fé e oração quanto da meditação, da compaixão, do amor, do perdão, da natureza, das artes e de todas experiências que permitem a transcendência do ser humano. 

A religião que você goste, yoga, meditação, tai chi chuan, arteterapia, psicoterapia podem te ajudar nesse caminho. 

6 – MEIO AMBIENTE 

Como somos bichos, precisamos estar bem e conectados ao meio ambiente. 

O ambiente que nos rodeia influencia diretamente nossa saúde e bem-estar. O contato com ambientes naturais, plantas e animais pode ajudar. 

7 – RELACIONAMENTOS 

Os bons relacionamentos são essenciais a nossa vida e saúde. 

Precisamos estar bem e com quem nos faz bem. Precisamos nos relacionar melhor tanto com família e amigos quanto no ambiente social e trabalho. 

Nunca é tarde para parar de fumar

Pacientes que pararam de fumar dois anos antes de terem diagnóstico de câncer de pulmão viveram mais em relação aos que continuaram a fumar, como mostrado em estudo. A mensagem dos autores é que “nunca é tarde para parar de fumar. ”

Foram avaliados 35.481 pacientes com diagnóstico de câncer de pulmão. Entre os pacientes que pararam de fumar entre 2 a 5 anos antes do diagnóstico, houve redução no risco de morte em 16% e naqueles que pararam 2 anos antes, houve redução no risco de 12% (p <.001).

Nos pacientes nunca fumantes, os dados de sobrevida também foram melhores, o que já era consistente com pesquisas prévias. Ou seja, quem não fuma, mesmo com diagnóstico de câncer de pulmão, vive mais em relação aos tabagistas.

Lembrando que há indicação de rastreamento de câncer de pulmão com tomografia de tórax em pacientes tabagistas. Converse com seu médico. E se ainda fuma, lembre-se que nunca é tarde para parar de fumar.

Referência: J Clin Oncol 38:2020 (suppl;abstr 1512)

Esperança em tumor raro em mulheres

Algumas mulheres com um tumor raro desenvolvido na placenta durante a gestação, os tumores trofoblásticos gestacionais, tiveram boa resposta com tratamento com imunoterapia (avelumab) em tumores já resistentes à quimioterapia.

Como já explicado em post anterior [clique aqui], a imunoterapia estimula o sistema imunológico da própria pessoa a reconhecer e atacar o tumor.

A Neoplasia trofoblástica gestacional refere-se a um grupo de neoplasias malignas que consistem em proliferação anormal de tecido trofoblástico e podem seguir uma mola hidatiforme ou uma gravidez não-molar.  

Antes do desenvolvimento de quimioterapia eficaz para os tumores trofoblásticos, a maioria dos pacientes com doença localizada no útero era curada com histerectomia (retirada cirúrgica do útero) , mas a doença metastática era quase uniformemente fatal.  


Com o uso de ensaios quantitativos sensíveis para hCG e manejo adequado com quimioterapia altamente eficaz, a maioria das mulheres com a doença pode ser curada e sua função reprodutiva preservada. Entretanto,  pequeno subgrupo pode se tornar resistente a quimioterapia.


O estudo foi apresentado no Congresso Americano de Oncologia deste ano. As pacientes incluídas já haviam recebido quimioterapia e o tratamento não havia sido eficaz.

Mais de metade das pacientes avaliadas apresentaram normalização do beta-HCG, que é usado nesse cenário para avaliação de resposta ao tratamento. E uma paciente conseguiu engravidar após 1 ano após término do tratamento.

O estudo foi pequeno, com poucas pacientes por ser um tumor raro, mas bastante promissor. Além da menor toxicidade em comparação à quimioterapia.  

Referência:  You B, Bolze PA, Lotz JP, et al: Avelumab in patients with gestational trophoblastic tumors resistant to monochemotherapy. ASCO20 Virtual Scientific Program. Abstract LBA6008. Presented during press briefing before meeting on May 26, 2020.

Benefício da Yoga em desordens mentais

Uma metanálise com mais de 19 estudos e mais de 1000 pacientes diagnosticados com  doenças mentais mostrou que aqueles que praticaram yoga tiveram redução importante em sintomas depressivos em comparação com aquelas que faziam somente o tratamento tradicional ou exercícios de controle de atenção. 

Foram incluídos pacientes depressão, estresse pós-traumático, esquizofrenia, ansiedade, dependência álcool e distúrbio bipolar. O efeito foi dose dependente, ou seja, quanto mais sessões realizadas semanalmente, melhores resultados.  

O estudo focou especificamente na yoga de movimento, as chamadas asanas ou posturas e não só nas formas meditativas. 

Depressão atinge mais de 340 milhões de pessoas ao redor do mundo e muitas dessas pessoas também apresentam outras doenças como obesidade, diabetes tipo 2, síndrome metabólica e doença cardiovascular. 

A inatividade física é associada com níveis elevados de depressão e atividade física é já é recomendada como parte do tratamento das desordens mentais por várias entidades internacionais. 

Esse estudo deve encorajar os profissionais de saúde a considerar o yoga com uma modalidade de atividade física baseada em evidencia científica a estimularem seus pacientes. 

http://dx.doi.org/10.1136/bjsports-2019-101242

Mudança no tratamento do câncer de pulmão

Apresentado no congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco) novo esquema de tratamento adjuvante para câncer de pulmão. Tratamento adjuvante é aquele empregado após a cirurgia que tem como objetivo aumentar a possibilidade de cura através da eliminação de focos de micro metástases.

O estudo ADAURA usou a medicação osimertinib que foi capaz de reduzir o risco de recorrência ou morte em 80% entre os pacientes com doença estádio inicial da doença. Os pacientes eram operados eram divididos em dois grupos, um recebia placebo e o outro recebia a medicação durante 3 anos. 

Osimertinib é um inibidor de tirosina quinase de terceira geração. A droga faz parte do arsenal das chamadas drogas-alvo que precisam de um alvo específico para funcionar, nesse caso os pacientes deveriam ter mutação no gene EGFR do tumor. 

A medicação já é aprovada no cenário de doença metastática com resultados também bastante impressionantes. O perfil de toxicidade também já é conhecido e de excelente tolerância pelos pacientes em relação a quimioterapia. 

O câncer de pulmão é o mais letal entre todas neoplasias e a novidade foi recebida com muito entusiasmo pela comunidade científica, sendo considerado uma mudança de paradigma no tratamento do câncer de pulmão. 

Fonte: Herbs RS et al. ASCO 2020, Abstract LBA5 

Yoga auxilia no tratamento para enxaqueca, revela estudo

Um estudo indiano mostrou dados positivos sobre associação de yoga junto com tratamento medicamentoso para enxaqueca.

Todos os pacientes recebiam tratamento medicamentoso para enxaqueca, porém metade deles praticaram yoga durante 3 meses juntamente com o uso de remédios, na tentativa de mostrar se há benefício do yoga em associação com remédios. 

Em comparação ao grupo que só recebeu tratamento medicamentoso, no grupo que praticou yoga e fez uso da medicação houve diminuição da intensidade e da frequência das cefaleias.

Yoga, uma das formas mais comuns de medicina integrativa e complementar, vem sendo cada vez mais praticado ao redor do mundo. É uma antiga prática indiana baseada nos princípios mente-corpo, já com benefícios conhecidos em vários tipos de enxaqueca.

O que me chamou atenção nesse estudo, é clareza como a união da medicina ocidental e oriental é benéfica. A medicina integrativa tem esse papel, práticas que se complementam sem ir contra o tratamento medicamentoso já comprovado cientificamente. 

Referência: Effect of yoga as add-on therapy in migraine (CONTAIN). A randomized clinical trial Anand Kumar et al Neurology May 2020, 10.1212/WNL.0000000000009473; DOI: 10.1212/WNL.0000000000009473