Câncer de colo uterino – novo padrão de tratamento

Outra novidade da ESMO desse ano foi no tratamento de câncer de colo uterino. O estudo Keynote-826 trouxe uma boa novidade para pacientes com câncer de colo uterino com doença persistente, recorrente ou metastática.

A adição da imunoterapia pembrolizumab (clique aqui) à quimioterapia padrão, com ou sem bevacizumab, redução em 1/3 do risco de progressão e morte pela doença. (HR 0.64 p<000.1). Como já mostrado em posts anteriores, a imunoterapia atua no tratamento hiper ativando o próprio sistema imunológico do indivíduo que encontra-se “adormecido” pelo câncer.

O tratamento foi eficaz em tumores expressores do ligante PDL-1 no tumor. Quanto mais altos os níveis da proteína, melhor o benefício. Em tumores sem expressão do PDL-1 não houve benefício.

Câncer de mama – estudo de nova droga

De 16 a 21 de setembro tivemos de forma virtual o Congresso da ESMO (Sociedade Européia de Oncologia Clínica), um dos mais importantes do mundo.

Um dos grandes destaques do congresso foi a apresentação do estudo DESTINY-Breast03 que avaliou a droga trastuzumab deruxtecan em pacientes portadoras de câncer de mama metastático que apresentam a expressão da proteína HER-2, que representa cerca de 20% dos casos.
Trata-se de uma medicação composta por um anticorpo monoclonal que ataca diretamente a proteína HER-2 hiperexpressa inibindo a multiplicação do câncer conjugada a uma quimioterapia.

O estudo avaliou a droga em comparação com outra droga, TDM1, que é o padrão atualmente. Foi um estudo em 2ª linha, ou seja, que incluiu pacientes que já haviam recebido trastuzumab (Herceptin) previamente.

Os resultados foram bastante impressionantes e animadores.  Demorou-se um média de 25 meses para progressão de doença com o trastuzumab deruxtecan versus 7.2 meses com o TDM 1. Ainda precisamos acompanhar mais tempo essas pacientes para avaliar o benefício em tempo de vida.

A droga apresenta como efeitos adversos anemia, queda dos glóbulos brancos e plaquetas, náuseas e fadiga. O efeito mais grave é doença intersticial pulmonar que ocorreu em 8,2% dos casos com necessidade de interrupção da droga.

Aguardamos a aprovação pela agência regulatório brasileira para disponibilidade e uso da medicação.

Qual a relação entre açúcar e câncer?

Pergunta muito frequente no consultório de oncologia e medicina integrativa. Quem tem ou já teve câncer precisa abolir o açúcar para sempre? E quem nunca teve a doença, se eliminar o açúcar, não terá câncer?

O açúcar não é responsável sozinho por causar câncer, assim como nenhum item alimentar isolado. Sempre quando nos alimentamos, ocorre liberação do hormônio insulina, que é capaz de diminuir os níveis de açúcar na corrente sanguínea. Isso é o normal e fisiológico do nosso organismo.

A resistência à insulina dá-se quando o hormônio não é capaz de realizar seu papel, ou seja, os níveis glicêmicos passam a se manter mais elevados.  Quanto mais açúcares ingerimos e piores nossos hábitos alimentares (não só o açúcar branco e doces, mas também farinhas brancas, carboidratos simples, bebida alcóolica, refrigerantes, sucos em caixinha, bolachas recheadas, industrializados – tudo isso geralmente tem muito açúcar), mais insulina é liberada. 

Hábitos dietéticos ruins podem levar à hiperinsulinemia (alto nível de insulina constante na corrente sanguínea). Altos níveis de insulina podem estar relacionados ao crescimento de alguns cânceres, sendo o câncer de mama na pós menopausa o mais bem estudado. Há tumores que expressam receptores de insulina em sua superfície, o hormônio se liga a esses receptores e pode levar ao crescimento do tumor.  

Na maioria das vezes, a hiperinsulinemia é revertida sem medicamentos através da escolha melhora da alimentação, atividade física e padrão do sono. O diagnóstico de hiperinsulinemia é dado por um médico através de exame laboratorial. Geralmente a hiperinsulinemia antecedente o diabetes. Não necessariamente está relacionada ao sobrepeso e obesidade, há pessoas com peso normal que apresentam a condição.

Portanto, o açúcar deve ser ingerido em moderação. Procure adotar hábitos saudáveis como um todo e aumentar a ingestão de vegetais, legumes e frutas.

Evitar não só os doces, mas também evitar colocar açúcar nas bebidas, evitar bebidas adoçadas e as farinhas brancas. Dar preferência ao chocolate 70% (com moderação), grão integrais e carboidratos de menor índice glicêmico. 

Cuidado também ao escolher os adoçantes, o ideal é não usar nada! Se for usar, dê preferência a Stevia e ao Xilitol, que são naturais. 

As frutas não devem ser eliminadas, pois apresentam vários benefícios em combater e evitar o câncer. 

Além de ajudar o não crescimento do câncer, controlando a hiperinsulinemia, evita-se o desenvolvimento de diabetes, doenças coronarianas e acidente vascular cerebral. 

Referência: Integrative Oncology, Andrew Weil

Câncer e obesidade

Além do aumento do risco de diabetes e doenças cardiovasculares como AVC e infarto, a obesidade também está relacionado ao câncer. Estima-se que 35% de todos os canceres nos Estados Unidos estejam relacionados a dieta, tanto pelo o que se com,  quanto pelo deixa-se de comer, como legumes, vegetais e frutas. Fatores dietéticos podem até ultrapassar o cigarro, que é responsável por 30% dos canceres. Evidências recentes sugerem e enfatizam a relação entre a obesidade e desenvolvimento do câncer (Colditz,2012; Arnold,2015; Schottenfeld,2013).

O American Institute for Cancer Research encontrou relação com evidência científica entre obesidade e câncer com os seguintes tumores: câncer de mama pós menopausa, pâncreas, rim, endométrio (útero), esôfago, colorretal, vesícula e variantes agressivas do câncer de próstata.

Ter um IMC (índice de massa corporal) baixo diminui o risco de desenvolver 8 tipos de tumores: gástrico, fígado, vesícula, pâncreas, ovário, tireoide, mieloma múltiplo e meningioma.

Pacientes obesos já diagnosticados com câncer de mama, colorretal ou próstata podem apresentar pior prognóstico secundário a obesidade. A boa notícia é que redução de peso em pacientes na pós menopausa pode diminuir o risco de desenvolver o câncer de mama significativamente.

O controle do peso ajuda tanto na diminuição do risco em desenvolver a doença, a evitar recidiva em quem já teve e melhora o prognóstico em quem tem câncer. Se você está acima de peso, não demore em procurar orientação médica, nutricional e do educador físico. Invista em você, na sua saúde e no seu autocuidado.

Fonte: Introduction to Integrative Oncology, The University of Arizona

O poder da cúrcuma

Cúrcuma é um tempero apimentado usado na culinária há séculos, principalmente na cultura indiana. Tem uma coloração amarelo /alaranjada bastante característica.  Cientistas já demostraram que a cúrcuma apresenta várias atividades biológicas, mas seu funcionamento ainda não é complemente elucidado. A partir de testes laboratoriais, ela demonstrou atividade anti-inflamatória e anticanceríge

As substâncias presentes na cúrcuma, chamados curcuminóides, previnem inflamação através da inibição de moléculas que mediam reações inflamatórias e são ricos em antioxidantes. Em ratos, cúrcuma preveniu o desenvolvimento de dano renal por toxinas e proteção ao desenvolvimento de câncer de cólon, estomago e pele. Alguns estudos sugerem que a cúrcuma tenha atividade em pacientes com câncer, mais pesquisa ainda é necessária para comprovar seu benefício.

Ela é usada na medicina tradicional indiana para melhora circulação e digestão. Além disso, é vendida como suplemento para melhorar memória, artrite, reduzir inflamação e   prevenção do câncer.

Cúrcuma é segura quando consumida na dieta, tente introduzi-la como tempero na sua cozinha! Quando usada na forma de suplemento de forma indiscriminada, por trazer altas concentrações, ela pode interagir com outras medicações e pode até fazer mal. A medicina integrativa orienta o uso correto dos suplementos.

Atenção: Cúrcuma pode inibir a ação de alguns quimioterápicos. Paciente com desordem intestinal ou com tendência a formação de pedras renais, deve usar o suplemento com cautela. É contraindicada em pessoa com obstrução biliar, pedra na vesícula, úlcera gástrica e hiperacidez gástrica.

Fonte: https://www.mskcc.org/cancer-care/integrative-medicine/herbs/turmeric


				
					

Câncer de mama: fatores de risco

O câncer de mama é neoplasia mais comum entre mulheres no mundo todo e a principal causa de morte por câncer entre mulheres no mundo. O câncer de mama hereditário, aquele que é transmitido entre familiares, ocorre apenas em 10% dos casos.  Há vários fatores de risco já estudados e que são identificáveis como causa da doença.  

Os fatores de risco para desenvolvimento do câncer de mama são: 

– Idade – o risco aumenta com o envelhecer; 

– Raça branca – apesar de também ser prevalente em todas as etnias;  

– Peso e gordura corporal:  

1) Ganho de peso na pré-menopausa aumenta o risco de desenvolver câncer de mama quando já na pós menopausa, dados sustentados por metanálise.    

E por quê? O tecido adiposo é local de conversão de precursores de estrógeno em estrógeno.  

Logo, quanto mais tecido adiposo, mais estrógeno. Muitos tumores crescem e se desenvolvem com estrógeno. 

A hiperinsulinemia, o aumento dos níveis de insulina na circulação do sangue, geralmente associado com pré-obesidade e obesidade, também explica o fenômeno.  

2) Ao contrário, o IMC alto está relacionado a menor risco de desenvolver câncer de mama, se antes da menopausa. A explicação ainda não é clara.  

 
Fatores de risco hormonais: 

– Uso de andrógenos – infelizmente comum nos dias de hoje mulheres fazerem reposição de testosterona. Níveis elevados de testosterona estão relacionados a aumento do risco de desenvolvimento do câncer de mama;  

– Insulina – altos níveis de insulina aumentam o risco de câncer de mama, o chamado pré-diabetes ou resistência insulínica (Confira aqui um artigo que escrevi sobre Açúcar e Câncer). O diabetes não é considerado risco.  

– Reposição hormonal na menopausa – é fator de risco para desenvolvimento da doença. Se for fazer reposição, fazer pelo menor tempo possível.  

Fatores reprodutivos: 

– Primeira menstruação (menarca) precoce e menopausa tardia – pela maior exposição aos hormônios femininos;  

– Multiparidade – ter várias gestações é fator protetor. Assim como não ter filhos, aumenta o risco. 

História pessoal: 

– Quem já teve o carcinoma ductal in situ ou câncer invasivo, tem alto risco de desenvolver câncer na outra mama; 

– História familiar – câncer de mama em parente de primeiro grau aumenta 2x o risco. Se em dois ou mais parentes de primeiro grau (mãe e irmã, p. ex.) pode aumentar em até 3x o risco.  

Estilo de vida: 

– Álcool – é o item da dieta que mais aumenta o risco de câncer de mama. Não há quantidade e recomendação segura quando se trata de câncer de mama;   

– Tabagismo – cigarro – quanto mais fumar e por mais tempo, maior o risco;  

– Trabalhadoras noturnas – um estudo com enfermeiras de turno noturno mostrou aumento no risco, provavelmente por alterações hormonais causadas por noites mal dormidas. 

– Exposição prévia a radiação – pacientes que radioterapia próximo a mama, para tratamento de outras neoplasias quando mais jovem. 

Fatores protetores: 

– Amamentação;  

– Atividade física – protege principalmente na pós-menopausa. Atividade física protege tanto por ajudar no controle de peso quanto por influência hormonal, reduzindo níveis de estrógeno, insulina e fator de crescimento dependente de insulina. 

Fatores dietéticos  

– Dieta do mediterrâneo – dieta baseada em alta ingesta de vegetais e frutas, peixe, azeite de oliva – parece reduzir risco câncer de mama;  

– Frutas e vegetais – alta ingesta também parece reduzir o risco;  

– Alta ingesta gordura, carne vermelha e processados – também parece aumentar o risco.  

Fonte: UptoDate – Factors that modify breast câncer risk in women