Mudança no tratamento do câncer de pulmão

Apresentado no congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco) novo esquema de tratamento adjuvante para câncer de pulmão. Tratamento adjuvante é aquele empregado após a cirurgia que tem como objetivo aumentar a possibilidade de cura através da eliminação de focos de micro metástases.

O estudo ADAURA usou a medicação osimertinib que foi capaz de reduzir o risco de recorrência ou morte em 80% entre os pacientes com doença estádio inicial da doença. Os pacientes eram operados eram divididos em dois grupos, um recebia placebo e o outro recebia a medicação durante 3 anos. 

Osimertinib é um inibidor de tirosina quinase de terceira geração. A droga faz parte do arsenal das chamadas drogas-alvo que precisam de um alvo específico para funcionar, nesse caso os pacientes deveriam ter mutação no gene EGFR do tumor. 

A medicação já é aprovada no cenário de doença metastática com resultados também bastante impressionantes. O perfil de toxicidade também já é conhecido e de excelente tolerância pelos pacientes em relação a quimioterapia. 

O câncer de pulmão é o mais letal entre todas neoplasias e a novidade foi recebida com muito entusiasmo pela comunidade científica, sendo considerado uma mudança de paradigma no tratamento do câncer de pulmão. 

Fonte: Herbs RS et al. ASCO 2020, Abstract LBA5 

Yoga auxilia no tratamento para enxaqueca, revela estudo

Um estudo indiano mostrou dados positivos sobre associação de yoga junto com tratamento medicamentoso para enxaqueca.

Todos os pacientes recebiam tratamento medicamentoso para enxaqueca, porém metade deles praticaram yoga durante 3 meses juntamente com o uso de remédios, na tentativa de mostrar se há benefício do yoga em associação com remédios. 

Em comparação ao grupo que só recebeu tratamento medicamentoso, no grupo que praticou yoga e fez uso da medicação houve diminuição da intensidade e da frequência das cefaleias.

Yoga, uma das formas mais comuns de medicina integrativa e complementar, vem sendo cada vez mais praticado ao redor do mundo. É uma antiga prática indiana baseada nos princípios mente-corpo, já com benefícios conhecidos em vários tipos de enxaqueca.

O que me chamou atenção nesse estudo, é clareza como a união da medicina ocidental e oriental é benéfica. A medicina integrativa tem esse papel, práticas que se complementam sem ir contra o tratamento medicamentoso já comprovado cientificamente. 

Referência: Effect of yoga as add-on therapy in migraine (CONTAIN). A randomized clinical trial Anand Kumar et al Neurology May 2020, 10.1212/WNL.0000000000009473; DOI: 10.1212/WNL.0000000000009473

A imunoterapia é a mais nova forma de combater o câncer

A imunoterapia é a mais nova forma de combater o câncer integrando o time da cirurgia, radioterapia, drogas alvo e quimioterapia tradicional. 

Dentre vários mecanismos complexos que levam ao desenvolvimento e crescimento do câncer, um deles é capacidade do tumor em inibir a resposta imunológica do indivíduo. Assim o organismo passa a não reconhecer mais o câncer como algo a ser combatido e o tumor passa a crescer e proliferar. 

A imunoterapia apresenta mecanismo de ação muito diferente da quimioterapia tradicional. Enquanto a quimioterapia ataca o câncer através da replicação celular, atingindo células cancerígenas e saudáveis, a imunoterapia ativa a própria imunidade do indivíduo que estava “adormecida”, fazendo com que o sistema imunológico passe a atacar o câncer. 

Por ser uma droga que estimula o sistema imunológico, os efeitos adversos estão relacionados a pela exacerbação da resposta imune como dermatite, tireoidite, encefalite, pneumonite, hepatite, colite, miosite, sendo esses mais graves e raros. O mais comum é a fadiga. Não gera náuseas, vômitos ou queda de cabelo como a quimioterapia. 

As primeiras imunoterapias foram as citocinas (interleucinas, interferon, BCG). As interleucinas e interferon são medicações extremamente tóxicas, mas que já carregam consigo uma característica muito interessante da imunoterapia, os pacientes que respondem ao tratamento, apresentam respostas douradoras. A vacina BCG ainda é usada no tratamento do câncer de bexiga inicial. 

Os inibidores de checkpoint, anti- PD1 (pembrolizumab, nivolumab), anti PDL-1(atezolizumab, avelumab, durvalumab), anti CTLA-4 (ipilimumab) compõem a imunoterapia atual. Cada classe atua em uma via diferente da sinalização imunológica, mas que no final tem por objetivo o mesmo efeito. As drogas podem ser usadas isoladamente ou em combinação em alguns tipos de neoplasia (nivolumab + ipilimumab) com aumento de taxas de resposta e aumento de sobrevida, porém às custas de maior toxicidade. 

Infelizmente, a imunoterapia não funciona para todos os pacientes. Mas em quem funciona, as respostas são longas podendo se estender até mesmo por anos. Estamos tentando identificar qual paciente tem o maior benefício com a droga. O marcador mais usado até agora é o chamado mensuração do PDL-1 na superfície do tumor. Quanto maior a expressão de PDL-1 (0 a 100%), maiores costumam ser as respostas a imunoterapia. 

A imunoterapia já se mostrou eficaz e é disponível para o tratamento de melanoma, câncer de pulmão, câncer de cabeça e pescoço, câncer mama metastático triplo negativo, câncer genitourinário, linfoma, dentre outros. Há centenas de pesquisa em andamento nos mais variados tipos de câncer. Muitas novidades ainda estão por vir. 

Referencia: 

https://www.uptodate.com/contents/principles-of-cancer-immunotherapy?search=immunotherapy&source=search_result&selectedTitle=1~150&usage_type=default&display_rank=1

Você conhece a dieta anti-inflamatória?

A dieta anti-inflamatória combina componentes da dieta tradicional mediterrânea e asiática. Ambas culturas e dietas estão relacionadas a uma boa saúde e longevidade.

A base da dieta é dada através da diminuição de alimentos pró-inflamatórios e aumento de alimentos anti-inflamatórios. Os alimentos inflamatórios incluem os industrializados, processados, embutidos, ricos em conservantes, ricos em gorduras saturadas, fast-foods, refrigerantes, sucos artificiais, alimentos ricos em açúcar.

Uma dieta desequilibrada, pobre em alimentos anti-inflamatórios e rica em inflamatórios está associado ao desenvolvimento de doenças como doença cardiovascular, obesidade, síndrome metabólica, diabetes, depressão, artrite, asma, doença inflamatória intestinal e alguns tipos de câncer. (Romagnolo, 2017; Ricker, 2017).

A dieta anti-inflamatória atua tanto na prevenção de doenças quanto auxilia no tratamento. Quanto mais cedo adotado esse hábito de vida, melhor. Deve ser estimulada desde a infância.


“ Desembale menos e descasque mais”.

Dieta rica em vegetais e frutas;

Carboidratos: integrais e sementes são uma boa fonte de carboidrato. Evitar massas. Incluir cereais ricos em fibras.

Gorduras: EPA e DHA podem ser obtidos em peixes de água fria (salmão, sardinha, atum). Omega-3 está presente em castanhas.

Fonte de gordura monoinsaturada, mas que são calóricas e devem consumidas em moderação: azeite, azeitonas, nozes, avocado.

Proteínas:

– Preferência a peixes ricos em ômega-3;
– Lentilha, feijão, grão-de-bico;
– Cogumelos – sempre cozidos;
– Laticínios de boa qualidade;
– Ovos

Temperos e doces:

– Preferência a cúrcuma, curry, gengibre, alho, pimenta, canela.
– Beber chá em preferência a café, preferência chá verde;
– Chocolate 70% em moderação;

Álcool

Homens devem limitar a duas doses/dia e mulheres a uma dose/dia. Preferência ao vinho tinto pelas propriedades anti-inflamatórias.

Atenção, mesmo uma dose/dia pode aumentar o risco do câncer de mama.

Weil, 2005

Acupuntura é segura e eficaz em pacientes com câncer

Você sabia que a acupuntura é segura e eficaz em pacientes com câncer? Desde 1997 já havia evidência científica clara que acupuntura era eficaz no tratamento de náuseas e vômitos relacionados a quimioterapia. É também muito empregada com resultados satisfatórios em dores articulares causadas pelas medicações do tratamento do câncer de mama, os inibidores de aromatase. Além disso também pode auxiliar nas ondas de calor, os chamados fogachos, tanto em homens como mulheres.

Outras indicações possíveis:

– Ansiedade;

– Diarréia;

– Insônia; 

– Linfedema;

– Xerostomia (boca seca) induzida por radioterapia;

– Neuropatia periférica;

– Leucopenia (queda dos glóbulos brancos) induzidas pelo tratamento.

A acupuntura é contraindicada em casos de neutrófilos em níveis muito baixos (menor que 500mm³) ou plaquetas menor que 25.000mm³.

Referência: Introduction to Integrative Oncology, University of Arizona