Algumas mulheres com um tumor raro desenvolvido na placenta durante a gestação, os tumores trofoblásticos gestacionais, tiveram boa resposta com tratamento com imunoterapia (avelumab) em tumores já resistentes à quimioterapia.

Como já explicado em post anterior [clique aqui], a imunoterapia estimula o sistema imunológico da própria pessoa a reconhecer e atacar o tumor.

A Neoplasia trofoblástica gestacional refere-se a um grupo de neoplasias malignas que consistem em proliferação anormal de tecido trofoblástico e podem seguir uma mola hidatiforme ou uma gravidez não-molar.  

Antes do desenvolvimento de quimioterapia eficaz para os tumores trofoblásticos, a maioria dos pacientes com doença localizada no útero era curada com histerectomia (retirada cirúrgica do útero) , mas a doença metastática era quase uniformemente fatal.  


Com o uso de ensaios quantitativos sensíveis para hCG e manejo adequado com quimioterapia altamente eficaz, a maioria das mulheres com a doença pode ser curada e sua função reprodutiva preservada. Entretanto,  pequeno subgrupo pode se tornar resistente a quimioterapia.


O estudo foi apresentado no Congresso Americano de Oncologia deste ano. As pacientes incluídas já haviam recebido quimioterapia e o tratamento não havia sido eficaz.

Mais de metade das pacientes avaliadas apresentaram normalização do beta-HCG, que é usado nesse cenário para avaliação de resposta ao tratamento. E uma paciente conseguiu engravidar após 1 ano após término do tratamento.

O estudo foi pequeno, com poucas pacientes por ser um tumor raro, mas bastante promissor. Além da menor toxicidade em comparação à quimioterapia.  

Referência:  You B, Bolze PA, Lotz JP, et al: Avelumab in patients with gestational trophoblastic tumors resistant to monochemotherapy. ASCO20 Virtual Scientific Program. Abstract LBA6008. Presented during press briefing before meeting on May 26, 2020.