A fosfoetanolamina foi produzida no Instituto de Química de São Paulo da USP

Divulgado em diversas mídias, os resultados de estudo fase II realizado pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) foram desanimadores. Devido a ineficiência em mostrar benefício da fosfoetanolamina, a chamada pílula do câncer, os testes foram suspensos.

Foi anunciado pelo Dr. Paulo Hoff, diretor do Icesp, que o estudo realizado pelo instituto não comprovou a eficiência da fosfoetanolamina contra o câncer. Dos 72 pacientes tratados com a substância, 59 já foram reavaliados e 58 não tiveram redução de pelo menos 30% no tamanho do tumor, que é o critério para se considerar que houve resposta ao tratamento. Apenas 1 paciente apresentou resposta, portador de melanoma.

Como o tratamento com fosfoetanolamina não atingiu os mínimos resultados exigidos, os médicos pesquisadores decidiram não incluir novos pacientes na pesquisa. Vinte pessoas continuam a receber a substância, seguindo o tempo de tratamento definido para este teste clínico. A previsão era incluir 210 pessoas com 10 tipos de cânceres, como não houve ganhos, não seria ético prosseguir. Os testes foram acompanhados por uma equipe do professor Gilberto Chierice, o químico que sugeriu o uso da droga.

Entenda como funcionam os estudos clínicos para aprovação de novas drogas:

Fase I: Os pesquisadores testam o medicamento em investigação em um pequeno número de pessoas, administrando-o a pessoas saudáveis ou pacientes, a fim de avaliar a sua segurança, determinar uma variação de dosagem segura e identificar efeitos colaterais indesejáveis.

Fase II: O medicamento em investigação é administrado a um número maior de pessoas que apresentam uma doença ou condição em particular para avaliar adicionalmente a sua segurança e frequentemente para avaliar a sua eficácia.

Fase III: Um número grande de pessoas com a doença ou condição apropriada participam desses estudos. O medicamento em investigação passa por testes adicionais para determinar a sua segurança e a sua eficácia, monitorar efeitos colaterais indesejáveis e compará-lo aos tratamentos comumente usados ou a um placebo.

Fase IV: São os estudos realizados depois que um medicamento se torna disponível para prescrição, com a intenção de se obter informações adicionais sobre os riscos, os benefícios e o uso de um medicamento.

A droga havia sido testada até então em laboratório e cobaias animais, e mesmo sem ter sido submetida a estudos clínicos, era possível sua aquisição por diversas formas. A fosfoetanolamina encontrava-se em estudo fase II e pela ausência de benefícios, não serão prosseguidos novos estudos. Segue-se os pacientes que já encontravam-se no estudo, entretanto não irá prosseguir para fase III.

“A mensagem que fica hoje é que, infelizmente, nas doses que estávamos estudando, o produto não é eficiente o suficiente para ser recomendado. “ Finaliza Hoff.

Referência

Fosfoetanolamina não é eficiente contra o câncer em pessoas

Autora

Dra. Milena Macedo Couto. CRM 57978