Um novo exame através da detecção de um biomarcador na urina de pacientes que já tiveram câncer de bexiga urotelial parece ser promissor no seguimento e diagnóstico de possíveis recidivas da doença.

Pesquisadores franceses desenvolveram um teste urinário capaz de dosar a “transcriptase reversa telomerase (TERT)”, uma enzima que frequentemente promove mutações no câncer urotelial de bexiga, principalmente se ainda não invadiu a parede muscular da bexiga. Foi comparado o TERT com a citologia urinária, que é a pesquisa de células cancerígenas na urina. O TERT foi extremamente superior em detectar lesões.

Um dos autores do trabalho explica que a vantagem do teste TERT é que ele é lido por um máquina, tornando-o mais simples e acurado. Já a citologia é interpretada pelo médico patologista através de um microscópio, o que muitas vezes pode haver falhas.

O estudo incluiu 348 pacientes previamente tratados com ressecção transuretral do câncer urotelial de bexiga e que então iniciariam o seguimento. O objetivo do estudo era avaliar se a detecção da mutação de TERT na urina poderia predizer a recorrência da doença. A sensibilidade do teste foi 80,5% e especificidade de 89,8%, cerca do dobro da citologia, o que torna o exame recomendável. O exame conseguiu predizer a recorrência da doença nas formas iniciais.

Mais estudos serão necessários para incorporar o teste na prática clínica do câncer de bexiga. Por ainda ser experimental, o exame ainda é considerado caro. Porém em larga escala e com melhora da tecnologia irá se tornar mais acessível.

Referência

http://www.nature.com/bjc/journal/vaop/ncurrent/full/bjc2017210a.html?foxtrotcallback=true

Autora

Dra. Milena Macedo Couto – CRM 57978